Socialismo – A ideologia facínora


INTRODUÇÃO

         O Socialismo é um sistema político-econômico ou uma ideologia de pensamento revolucionário criado no século XIX para confrontar o liberalismo e o capitalismo. A ideia foi desenvolvida a partir da realidade na qual o trabalhador era subordinado, naquele contexto histórico, através de baixos salários, enorme jornada de trabalho, poucos ou nenhum direitos trabalhistas, entre outras. 

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        O socialismo nasce no século XIX com os teóricos; Saint Simon (1760-1825), Charles Fourier (1772-1837) e Robert Owen (1771-1858), posteriormente denominado por Marx e Engels como socialismo utópico. Estes autores acreditavam na possibilidade da sociedade existir sem desigualdades sociais, possibilitando a qualquer indivíduo alcançar materialmente aquilo que desejasse.

          É importante ressaltar que o pensamento ideológico revolucionário do Socialismo teve suas origens nos períodos mais sangrentos das revoluções sociais advindas da Revolução Francesa e da Revolução Industrial (final do Século XVIII).

         Anos mais tarde, Friederich Engels e Karl Marx irão reformular a ideologia socialista e seu “modus operandi”, fundando o socialismo científico, em contraposição ao anterior (utópico).

         Apesar das ideias socialistas terem sido criadas ainda no século XIX, foram somente no século XX colocadas em vigor. O primeiro país a implantar esse regime político foi a Rússia, a partir de 1917, 34 anos depois da morte de Karl Marx, quando ocorreu a Revolução Russa, momento em que o governo monarquista foi retirado do poder e instaurado o socialismo. Após a Segunda Guerra Mundial, esse regime foi introduzido em países do leste europeu, nesse mesmo momento outras nações aderiram ao socialismo em diferentes lugares do mundo, a China, Cuba, alguns países africanos e outros do sudeste asiático. 

 

 Contexto do Surgimento do SOCIALISMO

        No final do século XVIII, a Europa passava por um processo que gerou mudanças em todas as esferas da sociedade: a Revolução Industrial. Essa revolução não só modificou a economia dos países europeus, mas também causou grandes transformações sociais. Com a modificação dos meios de produção e, por consequência, o surgimento do ambiente fabril, o sistema capitalista entrava em uma nova fase: ele deixava de ser o capitalismo comercial mantido desde o século XV para assumir a forma de um novo capitalismo industrial.

         O Liberalismo era a corrente de pensamento dominante na economia durante o período da Revolução Industrial.

         Com a crescente expansão das indústrias, as cidades cresciam rapidamente, sem qualquer planejamento. Ao mesmo tempo, muitos trabalhadores migraram do meio rural para as cidades, onde a produção fabril empregava a maior parte da mão-de-obra.

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         Enquanto isso, a sociedade europeia se dividia entre dois grandes grupos: de um lado, um proletariado que nada possuía além da própria mão-de-obra; do outro, uma classe burguesa que detinha a maior parte da riqueza produzida. Essa segmentação social se refletia na organização da cidade, com os trabalhadores pobres sendo deslocados para as margens da área urbana, onde predominava a miséria.

        Esse novo proletariado fabril encontrava-se sob as mais duras condições de trabalho, onde não existia qualquer meio legal de proteção: os salários eram baixos e as jornadas diárias de trabalho chegavam a 16 horas, não possuíam direito a nenhum dia de descanso; não existia limite de idade, as crianças trabalhavam desde cedo e os idosos não tinham direito à aposentadoria; além disso, contavam com péssimas condições de segurança no ambiente de trabalho.

       Neste contexto de pleno desenvolvimento do capitalismo, mas ao mesmo tempo de rápido aumento da miséria, alguns intelectuais passaram a buscar alternativas que pudessem melhorar esse cenário social. Foi em resposta a esses problemas que pensadores criaram a Ideologia Socialista, como um caminho para organizar uma sociedade onde não houvesse desigualdades.

     

O SOCIALISMO UTÓPICO

       O socialismo utópico foi a primeira corrente socialista, desenvolvida ainda durante a Primeira Revolução Industrial. Um dos seus grandes estudiosos foi o filósofo e economista francês Claude-Henri de Rouvroy, mais conhecido por Conde de Saint-Simon.

       Para ele, era importante que as classes prósperas entendessem que melhorar as condições de vida dos mais pobres implicaria na melhoria de suas próprias condições de vida. Assim, o objetivo das instituições sociais seria o de melhorar intelectual, moral e fisicamente, as condições da classe mais pobre e numerosa. Tudo isso através do progresso industrial e científico.

       Saint-Simon foi um crítico do “tripé de dominação social”, formado pelo clero, a nobreza e os militares. Diferente de outros pensadores socialistas, não defendia o fim da propriedade privada e nem a revolução como caminho para a reformulação da sociedade. Além disso, Saint-Simon era favorável a uma forte interferência do Estado sobre a economia.

      Outro teórico do socialismo utópico foi Charles Fourier. Ele propôs a criação de sociedades comunitárias e independentes, ainda que dentro da sociedade capitalista. Essas comunidades viveriam isoladas da sociedade, dependeriam do capital privado e não buscariam igualdade absoluta. Nelas haveria incentivo à eficiência industrial e, apesar de existir diferença de renda, esses rendimentos não seriam tão destoantes.

      A comunidade idealizada por Fourier tornaria todos mais felizes e resultaria em aumento da produção. Ainda assim, Fourier nunca conseguiu colocar sua comunidade ideal em prática.

      Assim como Fourier, Robert Owen também idealizou a criação de comunidades independentes dentro de uma sociedade maior. Contudo, suas comunidades visavam a igualdade absoluta, onde a única hierarquia seria baseada na idade. Nelas, a unidade de troca seria a hora de trabalho.

       Diferente de Fourier, Owen conseguiu colocar sua comunidade em prática. Comunidades chamadas de “Falanstérios”. Nela, os empregados eram pagos com altos salários e trabalhavam menos horas do que em outro lugar. Além disso, os trabalhadores eram sustentados por Owen durante crises econômicas e os sócios recebiam um valor limitado de lucros, aplicando o resto do dinheiro na melhoria da comunidade.

       Contudo, as comunidades de Owen só funcionavam sob sua supervisão. Com o tempo, as brigas internas e entre seus sócios levaram essas comunidades ao fim.

      Os socialistas utópicos enxergavam a indústria como o caminho para o desenvolvimento econômico e, com isso, para a melhoria de vida da população. Diferente dos socialistas científicos, não defendiam o fim do sistema capitalista como um passo necessário para se atingir uma sociedade justa e igualitária.

      As formulações destes socialistas eram modelos idealizados de sociedade, por isso o nome de socialismo utópico. Marx criticou esse sistema ao apontar que, apesar dos socialistas utópicos apresentarem ideais de uma sociedade mais justa e igualitária, não mostraram os instrumentos e métodos necessários para que esses objetivos fossem atingidos.

      “Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes tremem à ideia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.”

 

KARL MARX

        O SOCIALISMO CIENTÍFICO

        O socialismo científico foi criado no século XIX, pautado em uma análise histórica e científica do capitalismo. Por ter como pensadores Friedrich Engels e Karl Marx, o socialismo científico é muito conhecido como marxismo. Segundo Marx e Engels, em todas as épocas históricas a sociedade foi marcada pela luta de classes, sendo essa relação caracterizada pelo antagonismo entre uma classe opressora e uma oprimida. No sistema capitalista, essas classes são representadas, respectivamente, pelos proprietários privados do capital, e portanto os donos dos meios de produção, e do outro lado por uma massa de assalariados sem posses, que dispõe apenas de sua força de trabalho.

        O marxismo enxerga o proletariado como a única classe social capaz de destruir essa forma de exploração do homem pelo homem, através da destruição do capitalismo. Isso seria alcançado quando o proletariado chegasse ao poder, através da revolução violenta. Ao atingir o poder, os trabalhadores eliminariam as desigualdades, abolindo as classes sociais e tornando a sociedade igualitária. Quando isso acontecesse, estaria assinalada a passagem do socialismo para o comunismo. Portanto o Socialismo seria um estágio inicial para se implantar o Comunismo. Na prática no Socialismo, todos os bens privados passariam para o Estado, para depois que não houvessem diferenciações de classe se extinguiria o Estado e tudo seria de todos.

            Além de propor a extinção das classes sociais através da revolução, o socialismo científico defende ainda:

  • A socialização dos meios de produção: todas as formas de produção, como as indústrias por exemplo, passam a pertencer à sociedade e são controladas pelo Estado. Com isso, a riqueza deixa de ser concentrada nas mãos de uma minoria privilegiada.
  • Abolição da propriedade privada e controle do Estado sobre a divisão igualitária da renda.
  • Economia planificada: todos os setores econômicos passam a ser controlados e dirigidos pelo Estado, que determinará os preços, os salários e a regulação do mercado como um todo.

Bibliografia básica:

        HOBSBAWN. E. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1997.

      MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do partido comunista. São Paulo: Martin Claret; 2014.

        MARGOLIN,Jean-louis, PANNE.Jean-louis, BARTOSEK. Karel ,WERTH.Nicolas: O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão. São Paulo: Harvard University Press. Companhia das Letras, 1986, p. 77-120.

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