Jogando para ganhar – Teoria e Prática da Guerra Política



Livro: Jogando para ganhar – Teoria e Prática da Guerra Política

 

Autor: Roberto Motta

 

Roberto Motta, autor de “ou ficar a pátria livre” e Jogando para ganhar, é Engenheiro Civil pela PUC-RJ, Mestre em Gestão pela FGV-RJ e tem cursos no programa de MBA da George Washington University. Escritor, professor,
empreendedor, pai e ativista ligado a causas de desenvolvimento social. Foi um dos coordenadores da transição do governo Wilson Witzel e atuou como Secretário de Estado na Secretaria Executiva do Conselho de Segurança, até sua desmobilização, quando assumiu o cargo de assessor do governador encarregado de projetos estratégicos. Ele também atua na área de segurança pública como empreendedor, consultor e ativista.

 

O livro ‘Jogando para Ganhar’ é um estudo sobre as causas da criminalidade e ações políticas. Tendo como finalidade ser um manual que nos coloca frente-a-frente com as estratégias da esquerda e como devemos agir para combatê-los.
Com análises exclusivas sobre a ‘Arte da Guerra Política’ de David Horowitz e ‘Regras para Radicais’ de Saul Alinsky, Motta dividiu o livro em 45 ensaios, onde a cada ensaio eles se entrelaçam, atuando como uma “red pill” que nos introduz a verdadeira realidade brasileira: estamos indo pelas vias contrárias da liberdade econômica e do combate as estratégias da esquerda, chamada hoje, de progressista.

 

Vou resenhar a parte II – A Arte da Guerra Política.

Minha parte favorita (e essencial) para conter os avanços da esquerda pelas coxias do poder.

Este capítulo é divido em três ensaios, sendo estes: A apresentação da Guerra Política escrita por Leonardo Fiad, A Arte da Guerra Política e Regras para Radicais.

 

Motta proporciona uma conversa racional entre os textos de David Harowitz e de Saul Alinski, onde o primeiro é um contraponto aos ensinamentos do segundo.

 

Segundo Leonardo Fiad, o autor conseguiu condensar as melhores lições de David Horowitz e Saul Alinsky, combinando-as com analogias ao cenário brasileiro, traz lições sobre a guerra política ainda não assimiladas
pela maior parte dos ativistas políticos liberais e conservadores.

 

Na ‘Arte da Guerra Política’, o autor esclarece como se dá uma disputa pelo voto, trazendo a luz os melhores ensinamentos de Horowits, que escreveu dois livros primordiais para compreendermos as atividades políticas
como disputa  ideológica e moral pelo poder: A Arte da Guerra Política e Plano de Batalha para Derrotar a Esquerda.

 

Eleições sempre envolvem polarizações e dividem as pessoas em dois campos: nós e ele. Levando em consideração que liberais e conservadores não veem política como profissão e meio de sobrevivência, a esquerda é profissional
nesta parte.

 

Enquanto liberais e conservadores mantém seus discursos objetivos e sem emoções, o da esquerda apela para o emocional, baseando seus discursos em inveja, ressentimento e medo.

 

A política consiste no conflito eleitoral e políticas de Estado se referem a forma de governabilidade. Os conservadores e liberais são bons em políticas de Estado e péssimos em política.

 

A guerra política proposta pela esquerda é assimétrica e injusta, para qual o outro lado sempre está despreparado. A ‘nova’ esquerda nasceu de um movimento da contracultura. Formada por ativistas radicais, discípulos de
Saul Alinsky.

 

A esquerda assume o papel de missionária e única capaz de consertar o mundo, com políticas (desorganizadas) públicas. Com discurso sedutor pela “minoria”, destrói a economia, inchando cada vez mais o Estado, em nome do
combate a desigualdade. Já os liberais e conservadores assumem o papel de gestores onde pretendem gerencias as organizações, diminuindo o máximo possível a atuação do Estado e eliminando as regulações.

 

O autor, ressalta que, a guerra política é o resultado da colisão de visões diferentes do mundo. Quando um dos lados tem medo de enfrentar essa guerra, seu adversário pode conseguir a vitória mesmo enfrentando
evidências avassaladoras contra as práticas éticas ou morais.   

 

No livro podemos encontrar os seis princípios da guerra política de Horowitz.

 

1-) Política é guerra conduzida por outros meios.

 

 

2-) Política é uma guerra de posicionamento.

 

 

3-) No combate político, quem está na ofensiva geralmente vence.

 

 

4-) Uma posição é definida por medo e esperança.

 

 

5-) As armas políticas são os símbolos que evocam medo e esperança.

 

 

6-) A vitória estará com aquele que está ao lado do povo.

 

 

A política é uma guerra conduzida por outros meios, como por exemplo, não se luta apenas para ganhar uma
discussão e sim para destruir a capacidade de luta do inimigo. A política acontece dentro de um contexto e, portanto, as regras não podem ser aplicadas de uma forma rígida.

 

 

Apelar para o emocional, como o medo e a esperança, é uma das principais ferramentas para vencer essa guerra.
Convencer as pessoas que elas são importantes e suas necessidades serão sempre uma prioridade são primordiais para ter vantagem sobre esta guerra.

 

Bradar pela redução da desigualdade e pela justiça social, desperta o ímpeto de compaixão e justiça
nas pessoas, as impelindo as pessoas bradarem junto com o candidato, mesmo que elas não saibam o que essas duas frases significam.

 

Redução da desigualdade e justiça social são frases tão fortes que até quem não é de esquerda, as usa para conseguir
relevância no cenário da corrida eleitoral. Porém, estas frases de efeito são usadas para demonizar o sistema capitalista, colocando-o como desigual e injusto.

 

Palavras e símbolos são as melhores e mais eficazes armas que um candidato por ter. Motta esclarece ainda
que, justiça social, é um termo vazio sem significado real, já que toda justiça é social.

 

Já Saul Alinsky tem uma visão mais apelativa e ativa. Mentor da esquerda radical, é o responsável pelo arsenal do
ativismo político moderno e é o autor do livro: “Regras para Radicais” onde definiu os princípios básicos da organização política.

 

Um dos conselhos de Alinsky é a arte da comunicação. Ele explica que a comunicação precisa acontecer dentro da
experiência do seu público-alvo. Usar as experiências do cotidiano do seu público para desenhar seu discurso.

 

Alinsky não prega o revolucionário violento e incendiário e sim moderação e pragmatismo. Motta frisa que Alinsky rejeita a violência explicita e a política de confronto direto, estimulando a tomada do poder por meios democráticos. “Não se conquista o poder pelo confronto violento, mas operando por dentro do sistema”.

 

O primeiro recado de Alinsky, segundo o autor, é a importância da comunicação. O segundo é que não há outro
caminho senão trabalhar por dentro do sistema. E o terceiro é ressalta a importância de se conquistar o poder. “Não há nada mais importante do que conquistar o poder”.

 

O ativismo e a manipulação das massas é um dos pilares essenciais para o sucesso da esquerda. Recomenda-se que
os ativistas trabalhem em uma gama de causas. Quanto mais causas, maior será sua base de apoio na população. Ativistas que agem pela pseudo-minoria é um dos alicerces para manter a população revoltada, ocupada e reativa a fatos cotidianos. Como exemplo é o assassinato de mulheres. Crime de caráter passional, ganhou o nome de feminicídio, mesmo que o companheiro não a mate por ser mulher e sim por vê-la como objeto de posse e desejo. Passional. Age com paixão.

 

Essas causas sociais causam uma relativização dos valores morais e sociais. Roberto Motta elencou as 13 regras propostas por Saul Alinsky:

 

1-) Poder não é apenas o que você possui, mas o que o inimigo pensa que você possui.

 

2-) Nunca atue fora da experiência da sua comunidade.

 

3-) Sempre que possível, atue fora da experiência do seu inimigo.

 

4 e 5 -) O ridículo é a arma mais poderosa; é quase impossível contra-atacar a humilhação causada pelo ridículo.

 

6-) Uma boa tática é uma tática que agrada a sua equipe. Se o seu grupo não está se divertindo, existe algo
errado com sua tática.

 

7-) Uma tática que se arrasta durante muito tempo, se transforma em peso morto.

 

8- ) Mantenha a pressão, com diferentes táticas e ações, e utilize todos os eventos disponíveis para essa
finalidade.

 

9-) A ameaça costuma ser mais apavorante do que a própria ação, mas apenas se todos sabem que você tem o
poder e a determinação de executar o que você ameaçou fazer.

 

10-) Atue sempre para manter a pressão.

 

11-) Se a pressão for mantida por tempo suficiente, o outro lado cometerá um erro fatal.

 

12-) O preço de um ataque bem-sucedido é estar sempre pronto a oferecer uma solução construtiva, se o inimigo ceder.

 

13-) Escolha o alvo, congele seu foco nele, personalize o ataque e polarize a questão ao máximo.

 

Por fim, Alinsky recomenda que os ativistas aproveitem ao máximo a competição entre os ricos e pobres e use isso em benefício próprio para promover a causa da revolução.

 

Jogando para ganhar é mais que um livro. É um manual de sobrevivência para os conservadores e liberais que anseiam mudar o país através da legislatura, mas não sabe como vencer a politicagem imposta pela esquerda. É um livro típico de cabeceira, onde só se deverá tomar uma atitude contra o opositor, após consultar suas páginas e entender bem os conselhos.

 

Ouça um bate-papo sobre o livro com o autor:

 

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