Capitalismo


INTRODUÇÃO

Os modos de produção são elementos que marcaram toda a história. Podemos afirmar que na vida em sociedade, sempre há algum tipo de modo de produção. Embora o capitalismo tenha surgido e se consolidado como o sistema produtivo mais importante da história, houveram muitos outros modos de produção pré-capitalistas. É importante ressaltar que nenhum modo de produção é único, ou seja, numa sociedade feudal, por exemplo, também pode haver trabalho escravo (Escravidão Branca).

Capitalismo é um sistema em que predomina a propriedade privada e a busca constante pelo lucro e pela acumulação de capital, que se manifesta na forma de bens e dinheiro. Apesar de ser considerado um sistema econômico, o capitalismo estende-se aos campos políticos, sociais, culturais, éticos e muitos outros, compondo quase que a totalidade do espaço geográfico.

As Sociedades Pré–Capitalistas

Modo de produção comunal primitivo

É considerado o primeiro modo de produção da história. Se iniciou a partir da época em que o homem deixou de ser nômade e passou a plantar e caçar. Tal modo se baseia no uso coletivo dos meios de produção, nas relações familiares e no cooperativismo, semelhantemente ao que ocorre em muitas aldeias indígenas. Assim, no modo de produção comunal primitivo, não havia propriedade privada, uma vez que todos os bens e modos de produção eram coletivos.

Modo de produção escravista

Diferentemente do comunal primitivo, o modo de produção escravista foi o primeiro a estabelecer o conceito de propriedade privada. Os senhores, a minoria, eram proprietários dos escravos. As relações aqui não são de cooperação, como no modo comunal primário, mas sim, de domínio e sujeição, uma vez que os escravos eram vistos como instrumentos, como objetos, animais, etc.

Modo asiático de produção

Presente principalmente nas civilizações da antiguidade, como Egito e Mesopotâmia. Foi marcado pela existência de um Estado forte que apresentava mecanismos burocráticos e eficientes com o fim de submeter toda a sociedade ao seu poder. Todos os bens e meios de produção eram pertencentes ao Estado, sendo este encarnado pelo rei, imperador, etc.

Modo de produção feudal 

Predominante na Europa ocidental entre os séculos V e XVI, foi marcado pelas relações entre senhores e servos. Os senhores eram os donos da terra e do trabalho agrícola do servo, contudo, os servos não eram vistos apenas como objetos, como no modo escravista. O servo tinha o direito de cultivar um pedaço de terra cedido pelo senhor e viver ali com sua família. Em troca, ele pagava impostos, rendas, além de trabalhar para o senhor. Os senhores feudais tinham certa independência em relação ao sistema político presente, visto que possuíam seus próprios exércitos.

A TRANSIÇÃO DA SOCIEDADE FEUDAL PARA O CAPITALISMO

origem do capitalismo pode ser encontrada no processo de desintegração do chamado feudalismo. A transformação dos camponeses em trabalhadores assalariados, a retirada dos meios de produção desses últimos (ferramentas e instrumentos agrícolas, terras etc.), a formação de uma classe burguesa e o desenvolvimento do comércio estão entre as causas originárias do capitalismo.

Uma das principais características do feudalismo, enquanto regime de exploração, era a apropriação direta, pelo senhor (o aristocrata, o nobre), do produto excedente do trabalho dos camponeses. Estes tinham suas ferramentas e trabalhavam nas terras do senhor ou em pequenos lotes para sua subsistência. A exploração consistia no recebimento pelo senhor de parte da produção realizada pelo camponês, seja em espécie ou em trabalho nas terras do senhor. Esse excedente era consumido pelos senhores ou vendidos, quando não eram consumidos.

As características principais do capitalismo são a propriedade dos meios de produção detida por uma classe social, a burguesia, e a exploração do tempo de trabalho do trabalhador assalariado. Essa exploração é fundada na utilização da capacidade de trabalho, na força de trabalho, durante um determinado período de tempo em troca de um salário. O salário teria um valor menor do que o valor produzido pelo trabalhador durante sua jornada de trabalho.

A mais-valia

O excedente entre o valor pago em salário e o produzido pelo trabalhador seria a origem do lucro da burguesia, também chamada de mais-valia. Esta seria ainda a base para a acumulação de capital, que seria reinvestido na compra de matérias-primas, instrumentos de trabalho e inovações tecnológicas.

Historicamente, isso ocorreu com a ida para as cidades de um número cada vez maior de camponeses, principalmente na Inglaterra, com as restrições de uso das terras comunais, através das Leis de Cercamento (Enclosure Acts). Nas cidades e sem disporem de instrumentos para o trabalho, os camponeses passaram a vender sua força de trabalho, transformando-se em assalariados. Alguns dos antigos artesãos (principalmente os mestres das corporações), que contratavam esses assalariados, passaram a acumular capital e a constituírem-se enquanto burguesia, contribuindo, assim, para a gênese do capitalismo.

Renascimento Comercial

Outro fator importante da origem do capitalismo foi o chamado Renascimento Comercial. A abertura das rotas de comércio no mar Mediterrâneo e a intensificação das trocas no interior do continente europeu, principalmente com as feiras que eram realizadas em várias localidades, possibilitaram ainda a realização de forma mais intensa das trocas dos excedentes produzidos.

A mercantilização da produção contribuiu para a desintegração da sociedade feudal, interligando aos poucos os centros urbanos e escoando a produção agrícola. Possibilitou ainda o desenvolvimento de práticas financeiras que garantiam a comercialização, além de formar um capital bancário. Este serviria para a abertura de crédito às trocas comerciais e também às manufaturas. As Grandes Navegações, com as longas rotas comerciais e a obtenção de metais preciosos, contribuíram, dessa forma, como um agente externo para desintegrar a sociedade feudal e dar origem ao capitalismo.

Essas primeiras mudanças vieram junto do surgimento de uma classe de comerciantes e artesãos que viviam à margem da unidade feudal habitando uma região externa, chamada de burgo. Foi baseado nesse nome que a classe social anteriormente referida ganhou o nome de burguesia. A burguesia medieval implantou uma nova configuração à economia europeia na qual a busca pelo lucro e a circulação de bens a serem comercializados em diferentes regiões ganharam maior espaço.


A prática comercial experimentada imprimiu uma nova lógica econômica em que o comerciante substituiu o valor de uso das mercadorias pelo seu valor de troca. Isso fez com que a economia começasse a se basear em cima de quantias que determinavam numericamente o valor de cada mercadoria. Dessa maneira, o comerciante deixou de julgar o valor das mercadorias tendo como base sua utilidade e demanda, para calcular custos e lucros a serem convertidos em uma determinada quantia monetária.

Com esse processo de monetarização, o comerciante passou a trabalhar tendo como fim máximo a obtenção de lucros e o acúmulo de capitais. Essa prática exigiu uma constante demanda pela expansão do comércio e, assim, nos fins da Idade Média, incitou a crescente classe comerciante burguesa a apoiar a formação de Estados Nacionais. Aliado ao poderio militar da nobreza, os burgueses passaram a contar com o fomento político para dominar novos mercados, regular impostos e padronizar moedas.

Essas transformações que marcaram a passagem da Idade Média para a Idade Moderna incentivaram o nascimento do chamado capitalismo mercantil e das grandes navegações. Nesse contexto, os Estados Nacionais incentivaram a descoberta e o domínio de novas áreas de exploração econômica por meio do processo de colonização. Foi nessa época que os continentes americano e africano passaram a integrar uma economia mundialmente articulada aos interesses das poderosas nações europeias.

Além de possibilitar uma impressionante acumulação de riquezas, o capitalismo mercantil criou uma economia de aspecto concorrencial na qual as potências econômicas buscavam acordos, implantavam tarifas e promoveram guerras com o objetivo de ampliar suas perspectivas comerciais. No entanto, a relação harmônica entre a burguesia e os monarcas ganhou uma nova feição na medida em que a manutenção dos privilégios da nobreza se transformava em um empecilho ao desenvolvimento burguês.

Foi nesse período que os princípios da filosofia iluminista defenderam uma maior autonomia das instituições políticas e criticaram a ação autoritária da realeza. Foi nesse contexto de valores que as revoluções liberais foram iniciadas pela convulsão sociopolítica que ganhou espaço na Inglaterra do século XVII. Na ilha britânica observamos a primeira experiência de limitação do poder real em favor de uma maior autonomia da economia durante o processo da Revolução Inglesa.

No final do século XVIII e início do XIX, teve origem o chamado capitalismo industrial, esse ficou caracterizado por muitas evoluções que foram primordiais à ocorrência da Primeira Revolução Industrial na Inglaterra, no século XVIII, a utilização do carvão mineral como fonte de energia para a indústria têxtil recebeu o invento da máquina a vapor, a inserção de outras nações no processo, como França, Alemanha, Estados Unidos e Japão. O imperialismo europeu, a partilha colonial, o liberalismo e o surgimento do socialismo também marcaram esse período.

Pela primeira vez, as autoridades monárquicas passaram a estar submetidas ao interesse de outro poder com forte capacidade de intervenção política. Essa mudança na Inglaterra beneficiou diretamente a burguesia nacional ao conceder maiores liberdades para empreender acordos diplomáticos e articular os diversos setores da economia britânica ao interesse das atividades comerciais. Não é por acaso que foi nesse mesmo lugar que o capitalismo passou a ganhar novas forças com a Revolução Industrial.

A experiência da revolução imprimiu um novo ritmo de progresso tecnológico e integração da economia no qual percebemos as feições mais próximas da economia experimentadas no mundo contemporâneo. O desenvolvimento tecnológico, a obtenção de matérias-primas a baixo custo e a expansão dos mercados consumidores fez com que o sistema capitalista conseguisse gerar uma situação de extrema ambiguidade: o ápice do enriquecimento das elites capitalistas e o empobrecimento da classe operária.

Chegando ao século XIX, percebemos que o capitalismo promoveu uma riqueza custeada pela exploração da mão de obra e a formação de grandes monopólios industriais. Nesse período vemos a ascensão das doutrinas socialistas em franca contraposição ao modelo de desenvolvimento social, econômico e político trazido pelo sistema capitalista. Mesmo movendo diversas revoluções e levantes contra o sistema, o socialismo não conseguiu interromper o processo de desenvolvimento do capital.

No século passado, o capitalismo viveu diversos momentos de crise nos quais percebemos claramente os problemas de sua lógica de crescimento permanente. Apesar disso, vemos que novas formas de rearticulação das políticas econômicas e o afamado progresso tecnológico conseguiram dar suporte para que o capitalismo alcançasse novas fronteiras. Com isso, muitos chegam a acreditar que seria impossível imaginar um outro mundo fora do capitalismo.

No entanto, seria mesmo plausível afirmar que o capitalismo nunca teria um fim? Para uma afirmativa tão segura e linear como essa, podemos somente lançar mão do tempo e de suas transformações para que novas perspectivas possam oferecer uma nova forma de desenvolvimento. Sendo imortal ou mortal, o capitalismo ainda se faz presente em nossas vidas sob formas que se reconfiguram com uma velocidade cada vez mais surpreendente.

As Fases do Capitalismo e suas características.

O capitalismo comercial

O capitalismo comercial é baseado nas trocas comerciais. Este foi muito utilizado nas colônias da América, África e Ásia. Nesse período, Portugal, Espanha, Inglaterra, França e Holanda enriqueceram explorando novas terras, e o capitalismo passou a se fortalecer a partir das trocas e vendas de escravos, manufaturas, metais preciosos e produtos agrícolas.

Esse período foi marcado pelo mercantilismo. Procurava-se o enriquecimento a partir da acumulação dos metais preciosos. Muitos aspectos da geografia de diversos países ainda hoje são o reflexo desse período.

O capitalismo industrial

O capitalismo industrial teve inícios a partir da troca do trabalho manual pelo trabalho mecânico nas indústrias. Um grande símbolo desse período foi a máquina movida a vapor, que era gerado a partir da combustão do carvão.

Nessa fase do capitalismo a invenção e a implantação de máquinas no processo produtivo foram facilitadas devido ao grande volume de capital acumulado durante o mercantilismo.

A industrialização passou a se expandir, as indústrias se multiplicaram e a demanda por mais trabalhadores acabou gerando uma divisão de classes entre o patrão e o proletário (operários). Com o aumento dessa segunda classe, surgiu o sindicalismo. Nesse mesmo período a ação imperialista da Europa e dos Estados Unidos começou a se desenvolver.

O capitalismo financeiro

O capitalismo financeiro surgiu no ano de 1881, assim o capitalismo possuía duas características principais: a crescente integração do capital industrial com o capital de financiamento e a intensificação do processo de monopolização. No século XX, após a Segunda Guerra Mundial, passaram a surgir empresas transnacionais, também chamadas de multinacionais, com esse crescimento industrial, veio também o aumento da concorrência internacional.

As Grandes Crises do Capitalismo.

Mesmo com grande força e resistência entre todos os países, o capitalismo teve seus momentos de Crise: Perdendo forças em alguns momentos, o sistema sofreu grandes crises durante sua vigência, tendo suas estruturas largamente abaladas entre longos períodos de desespero comercial.

Considerando as maiores crises do sistema nos últimos anos, podemos entender um pouco mais sobre sua força e sobre seu impacto em escala global. Confira mais sobre o assunto e conheça as maiores crises do capitalismo:

Grande depressão

A Crise de 1929 foi uma das maiores crises econômicas do mundo. Terminando apenas com o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, a grande depressão começou entre diversos fatores indicativos de quebra, mas só aconteceu de fato na chamada “quinta-feira negra”. Foi no dia 24 de Outubro de 1929, a partir da quebra da bolsa de valores de Nova Iorque.

Arrastando a queda de valores no mercado quebrado, a crise levou instituições bancárias à falência, além de considerar crises agrárias, quedas drásticas no produto interno bruto dos países mais influentes do sistema, crise na produção industrial global, redução no preço de ações, entre muitos outros problemas. Com a desvalorização da moeda norte-americana, o mundo sofreu uma enorme crise.

Crise do Petróleo

Essa crise foi desencadeada a partir do déficit de oferta do petróleo, que gerou o conflitos entre os processos de nacionalização dos países envolvidos entre regiões petrolíferas. Entre 1956 e 1991, o mundo sofria com essa prolongada recessão econômica, que relacionou-se aos conflitos dos produtores árabes da OPEP. A OPEP envolvia uma reivindicação frente a política de altos custos das sete irmãs, que seriam as maiores empresas petroleiras ocidentais: Standard Oil, Royal Dutch Shell, Mobil, Gulf, BP e Standard Oil da California.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo contava com os maiores produtores de petróleo do outro lado, incluindo Arábia Saudita, Irão, Iraque, Kuwait e Venezuela. A crise ocorreu em várias fases, encerrando-se após a Guerra do Golfo.

Grande recessão de 2008

A mais recente crise capitalista ocorreu em 2008, com a quebra do tradicional banco de investimento norte-americano, o Lehman Brothers. A falência da instituição gerou um efeito dominó de quebra de vários bancos internacionais, conhecido como a “crise dos subprimes”. O colapso da bolha da tecnologia Nasdaq, a “bolha da internet”, foi um dos fatores mais influentes, ocorrido em 2001. As maiores características da crise foram as perdas no mercado imobiliário e a falta de liquidez bancária.

Referências Bibliográficas:

Livro: História Econômica e Social da Idade Média.

Autor: Henri Pirrene

Editora: Fondo De Cultura , 1941.

Livro: A Transição do Feudalismo para o Capitalismo

Autor: Rodney Hilton e Outros

Editora: Paz e Terra, 1983.

Livro: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo

Autor: Max Weber

Editora: Companhia das Letras, 2006

Livro: O Capital – Crítica da Economia Política – Volume II – Livro 1

Autor: Karl Marx

Editora: Bertrand Brasil, 2011.

1 Comentário

  1. Avatar
    Marco Antonio Succi
    22 de maio de 2019
    Responder

    Gostei bem escrito, boa bibliografia, texto organizadinho didático muito bom escreva mais !

Deixe Seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *